– Tia, compra uma lata de óleo pra mim?
Encarei aquela criaturinha de nariz escorrendo que atrapalhou meu café da manhã numa cafeteria de supermercado. Antes que algum funcionário o expulsasse respondi:
– Espera eu terminar que compro pra você.
Fiquei intrigada. O pequeno não pedira trocado, pedira algo específico. Item básico fora do alcance daquele diminuto pária, cujo cotidiano limitava-se a pedir coisas e receber caretas, indiferença, desprezo e, com alguma sorte, lições de moral.
No caixa, o garotinho ficou por perto, fungando, e assustou-se com o preço de uma latinha de azeite: R$ 8,00. Pequena fortuna e leque de possibilidades. Ele tinha de se contentar com o óleo de soja de R$ 2,00. Recebeu o donativo e saiu saltitante.
O menino comoveu-me de verdade. Pela pequenez, fragilidade, mas principalmente por ser peão girando sem parar num círculo vicioso. E me assustou também porque me identifiquei.
Saí do supermercado pensando nessas coisinhas. Escutei um grito:
– Brigadu, tia!
Virei-me e recebi um mucoso sorriso.
Encarei aquela criaturinha de nariz escorrendo que atrapalhou meu café da manhã numa cafeteria de supermercado. Antes que algum funcionário o expulsasse respondi:
– Espera eu terminar que compro pra você.
Fiquei intrigada. O pequeno não pedira trocado, pedira algo específico. Item básico fora do alcance daquele diminuto pária, cujo cotidiano limitava-se a pedir coisas e receber caretas, indiferença, desprezo e, com alguma sorte, lições de moral.
No caixa, o garotinho ficou por perto, fungando, e assustou-se com o preço de uma latinha de azeite: R$ 8,00. Pequena fortuna e leque de possibilidades. Ele tinha de se contentar com o óleo de soja de R$ 2,00. Recebeu o donativo e saiu saltitante.
O menino comoveu-me de verdade. Pela pequenez, fragilidade, mas principalmente por ser peão girando sem parar num círculo vicioso. E me assustou também porque me identifiquei.
Saí do supermercado pensando nessas coisinhas. Escutei um grito:
– Brigadu, tia!
Virei-me e recebi um mucoso sorriso.
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