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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Exercício


Uma mulher vai à padaria comprar pão. Narrar de maneira:

ConvencionalAndava apressada enquanto olhava o relógio. Poderia ter se adiantado e comprado o pão no dia anterior, mas começar o dia com um pãozinho estalando de quente não tem preço. Porém, perdera a hora e estava mais atrasada que nunca. Desejava um dia de dolce far niente, saboreando um pão fresco, vagarosa, só para variar.

Do geral para o particular
A manhã de sol; a criança sonada esperando o transporte escolar; o carteiro entregando anúncios inúteis e notícias vitais; o executivo no carro de luxo; os trabalhadores no ponto de ônibus; o casal fazendo as pazes; a doméstica observando da fila do pão não fazem questão de saber que a distração do padeiro icinerou a primeira fornada na manhã de sol.


Do particular para o geral
A flor da toalha serviu de leito para a nódoa, a faca, os farelos. Despojos de mais uma manhã. Tão companheiros quanto o cigarro repousando entre os dedos amarelados. De quando em quando o cigarro vai à boca enrugada, borrada de batom ordinário, que solta vagarosas baforadas. A boca está confinada à mulher que espera na cozinha da quitinete.


Diálogo
– Café?
– Até a boca...
– Açúcar?
– Amargo...
– Pão?
– Dormido...
– Manteiga?
– Rançosa...
– Mulher?
– Longe...


Suspense
Desde que saíra da padaria sentia estar sendo seguida. Meu Deus, o pesadelo... parecia o pesadelo que tivera dias atrás. O marido a chamara de paranoica, agora o pesadelo tornara-se real. Lançava rápidos olhares de lado, não enxergava nada. Acelerou os passos, apertou o saco de pão contra o peito. Não escutava... estava quase correndo quando a mão a alcançou:
– Moça, moça! Esqueceu o troco!


AbsurdaFamília reunida em volta da mesa para mais um café da manhã. Família tradicional, sóbria, satisfeita. Tia Rosa incomoda-me com seu olhar estático, seu rosto de cera, sua serenidade centenária. Tio Egídio serve-lhe café com pouco leite, corta-lhe o pão em pedaços pequenos, acaricia-lhe a mão fria, repetindo afetuosidades. A cena enleva-me. Entretanto, os olhos de vidro encaram-me, súplices, insistentes. Não parecem olhos de um cadáver.

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