Marcadores

quinta-feira, 18 de junho de 2009







Sobre Tatuagens e Crônicas



Tatuagem é um fascínio antigo, apesar de minha cútis, até hoje, só ter experimentado esse prazer com decalques de chiclete. Por quê? Simples, sou uma típica sem-tatuagem.
Os sem-tatuagem defendem, como argumento para não tatuar-se, uma atitude politicamente correta, mas na verdade não passam de medrosos. Antes, porém, ser sem-tatuagem que arrependida.

Os arrependidos, na verdade, são os indecisos. Vivem uma eterna dúvida: em quem votar? Qual prato escolher? Não vou enjoar daquele desenho impresso na pele pro resto da vida? Quando finalmente decidem, arrependem-se. Conhecem Jesus (apaixonam-se por um sem-tatuagem religioso) ou o amor eterno (cujo nome está tatuado num lugar bem visível do corpo) termina, fazendo com que os arrependidos colecionem, mais que affairs, cicatrizes de cirurgia. Antes ser cronista.

Os cronistas são os que têm personalidade e atitude. Carimbam a pele e não sucumbem às pressões. Tomam posição e descrevem o cotidiano de maneira peculiar, pictoricamente. Carregam na carne o material de sua mensagem. Cada figura, cada palavra, explodindo em cores ou concentrada no preto, berra a crônica destemida e autêntica. Enfrentam o mundo que os rotula de gênero menor.

Eu, pobre sem-tatuagem, desejo essas epidérmicas obras-primas. Afago-as na ilusão de roubar-lhes um pouco da magia.

Claro, isso só reforça a velha frustração. Enfim, não sou cronista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário